As 4 regras de ouro das atividades extracurriculares

Com o início do ano letivo já para trás, e com o mês de outubro a aproximar-se tão rapidamente, começa a surgir a questão das atividades extracurriculares e quais as melhores para as crianças frequentarem ao longo deste ano letivo. Esta é uma questão que, apesar de não ser tão central como a escola em si, requer muita atenção e recursos ao nível da família, e como tal, não deve de todo ser deixada ao acaso.

 

Antes de avançarmos com as regras que considero mais importantes na escolha das atividades, é importante refletirmos sobre o sentido das atividades em si e da necessidade das mesmas no nosso quotidiano. A verdade é que muitas famílias não “escolhem” as atividades, são antes forçadas por uma questão de horários. Muitas vezes as escolas terminam cedo e não existe ninguém na rede familiar de suporte para ficar com as crianças, pelo que estas atividades se apresentam antes como uma necessidade para os pais estarem descansados e saberem que os seus filhos estão num local seguro e em momento de aprendizagem. E não há problema nenhum nisso, nem deve ser de forma alguma uma fonte de culpabilidade para os pais.

 

Por outro lado, atualmente existe uma oferta enorme de atividades de todo o género: desportivas, linguísticas, culturais e até mesmo orientadas para o estudo e continuidade académica. E no fundo, todas elas vão-vos apresentar inúmeros argumentos sobre a sua importância e necessidade: o teatro é óptimo para o desenvolvimento da linguagem e da improvisação; a música é o ideal para o desenvolvimento da motricidade fina e a necessidade de dedicação; o futebol é bom para o desenvolvimento da coordenação global e para a aprendizagem de trabalhar em equipa; o xadrez para desenvolver a capacidade de estratégia… e por aí em diante. O facto de todas estas atividades serem apresentadas às famílias como tendo vantagens únicas para o desenvolvimento das crianças, faz com que muitas vezes os pais se sintam na obrigação de apresentar todas as atividades às crianças, colocando-as sobre um horário extremamente carregado. Atenção, nestes casos, menos é mais. O facto de estarmos a expôr a criança a um sem número de atividades, não significa que estamos a dar à criança um sem número de competências para o sucesso. Muitas vezes estamos só a tirar à criança tempo para ser ela mesma e fazer algo tão necessário como brincar.

 

Por isso, se nesta semana estão a debruçar-se nas aulas experimentais e na escolha das atividades, deixo-vos aqui 4 regras que, a meu ver, devem orientar a vossa escolha, sabendo desde o início que cada família é um mundo, e como tal deve ter prioridades e escolhas diferentes:

  • Onde é que é? – comecemos por uma das mais fáceis: a criança quer praticar futebol num determinado clube, mas o clube fica a cerca de 30 minutos de carro da escola e, como acaba por apanhar a hora de ponta, o percurso real para chegar lá acabam por ser 50 minutos a uma hora. Pode não parecer ao início, mas esta logística espacial é um problema. Se a criança perde quase meia ou uma hora do seu dia em deslocamento, é uma atividade que rapidamente vai dificultar a dinâmica familiar. Se chover, se houver acidentes ou percalços, facilmente a atividade ficará em risco e vão haver mais faltas, o que por outro lado descredibiliza a atividade junto da criança. Mais, se a criança for capaz de ter as suas atividades dentro da sua comunidade, uma data de vantagens levantam-se: é mais provável que consiga ser autónomo nas suas deslocações, mais facilmente encontrará colegas que são também vizinhos, e ainda aumenta a sua capacidade de usar os recursos ao nível da comunidade!
    Claro que isto não quer dizer que não possa haver atividades que são um pouco mais longe, até dependendo de outros factores que podem ser importantes tanto para a família como para a criança, mas sem dúvida que é algo que deve ser pensado na hora de escolher a atividade!
  • Quanto tempo me ocupa? – uma vez escolhido o local onde vai ser a atividade, é importante também ter noção do real tempo que a atividade vai ocupar. É quantas vezes por semana? E quanto tempo? e ficará em que horário? É importante ter noção de que a criança já está o dia todo na escola, em momento de aprendizagem, frequentemente depois ainda tem trabalhos para fazer e, quando já são mais velhos, precisam ainda de tempo para estudar. Fora isto, a criança ainda necessita de tempo para as suas atividades da vida diária e para a dinâmica familiar, como tomar banho, arrumar o quarto, ajudar no jantar; precisa ainda de brincar e descansar e ainda de estar tempo de qualidade com a família. Ou seja, atividades que sejam 3 ou 4 vezes por semana, e que ocupem tempo desde o fim das aulas pelas 17h00 até às 20h00 da noite, muito provavelmente vão causar um cansaço exagerado na criança e comprometer o seu rendimento nas variadas esferas. Mais uma vez, claro que existem excepções e que há determinadas atividades que acabam por volta das 21h00, mas que a criança adora, que a motiva e a ajuda na sua auto-estima. Se enquanto família virem que conseguem dar resposta, óptimo, é bom para vocês. Mas se virem que o ir buscar a criança compromete banhos, que vos causa stress e que potência o não irem, então, à partida, não será a atividade ideal para a vossa criança.
  • Consigo comprometer-me financeiramente? – até agora respondemos que sim a tudo! A atividade é muito perto da escola, até têm um autocarro que vai buscar, é duas vezes por semana e acaba mesmo a tempo do pai ir buscar e dar banho, e até ainda dá tempo para os trabalhos de casa e para conversarem alegremente depois do jantar. Perfeito. Então falta a questão que provavelmente é mais difícil para os pais de lidarem: conseguem comprometer-se nos próximos 9 meses a suportar financeiramente esta atividade? Atenção, uma atividade extracurricular caríssima não é sinónimo de qualidade, da mesma forma que ao serem de livre acesso signifique obrigatoriamente que não têm qualidade. Procurem bem, uma vez que muitas escolas têm uma boa oferta de atividades gratuitas, assim como juntas de freguesia, associações ou clubes desportivos. Por muito que nos parta ao coração dizer às crianças que não pode ir devido a dinheiro, a verdade é que ainda é pior dizerem que pode ir, para passados 3 meses terem de desistir por ter chegado ao máximo de stress financeiro que a família consegue suportar. Falem e tentem encontrar alternativas que sejam mais confortáveis para todos.
  • A criança está feliz em ir para a atividade? – para mim a mais importante. E sei que esta é controversa… Existe muita a noção de que as crianças não sabem e não entendem e que os adultos é que sabem o que é melhor. “Ah, Ana, mas vai ver, um dia ainda me vai agradecer por todas as vezes que o levei a chorar para o treino”. Se calhar vai. Mas se calhar não. Pensemos no nosso caso: gostaríamos mesmo de, depois de 8 horas de trabalho, irmos obrigados para uma atividade de uma ou duas horas em que não nos sentimos bem? Pois. A verdade é que o currículo que é apresentado nas escolas ainda é bastante fechado, por isso, as atividades extracurriculares devem ser a abertura para a diversidade de talentos e interesses que as crianças têm, de forma a aprofundá-los junto de outras crianças que gostem do mesmo, estando ou não na mesma escola. Numa escola tão uniforme, deixemos que as atividades extracurriculares sejam a individualidade da criança! Atenção, isto não quer dizer que ao primeiro choro seja para tirar a criança da atividade! Claro que não! As atividades extracurriculares, após escolhidas, devem ser levadas a sério e com compromisso! E expliquem isso à criança, que se comprometeram e que devem manter a atividade pelo menos no presente ano letivo. Irão existir momentos de maior prazer, mas também de maior frustração, e isso é de extrema importância para o desenvolvimento da criança. Mas que esta frustração seja dentro de um campo de interesse da criança e não de um em que não existe o menor significado para além da obrigação.

Já antes aqui refleti convosco sobre a enorme importância das atividades extracurriculares: entre a ocupação de tempo, fazerem amigos, aprenderem a ser responsáveis, desenvolver interesses e tornarem-se ainda mais únicas. Que estas linhas orientadoras nos possam ajudar a tomar decisões mais ponderadas e conscientes!

 

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